O ensaio Tempo Vivido decorre de reflexões sobre o tempo e a estrutura temporal da consciência. Creio ser o tempo o mais profundo tema de toda a filosofia. Uma parte do estudo do tempo, que tem me ocupado desde o doutorado, é a determinação de como a experiência consciente é temporalmente ordenada. A consciência nunca é temporalmente atomizada, mas se alarga rumo ao passado pelas memórias e rumo ao futuro pelas expectativas. Assim, a consciência tem uma estrutura temporal tripartite, que articula a retenção do passado, as sensações presentes e a protensão do futuro. Diferentemente do tempo físico, no qual o instante é concebido como um instante matemático infinitamente divisível, na experiência consciente o que há é um fluxo com duração, no qual memória, sensação e expectativa se unem.

Em termos metafóricos, é como se a consciência articulasse constantemente três imagens. Essa metáfora me levou a explorar a sobreposição de três imagens fotográficas (que sempre são vivências sucessivas), tendo em vista expressar o tempo vivido da consciência. O tempo da consciência não é o instante matemático, nem o corte fotográfico infinitamente divisível, mas é aquilo que une os diferentes instantes, tornando-os diferentes partes de um mesmo tempo. Assim, nos termos da metáfora, o Tempo Vivido é a duração resultante da união de três imagens.

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