No ensaio Ainda Presente, realizo intervenções no negativo fotográfico, tendo em vista tornar evidente a materialidade da imagem fotográfica. Nessas intervenções, queimo partes dos negativos, faço riscos e furos, e jogo tinta e outras substâncias (como café e chimarrão) sobre o negativo. A ideia é tornar evidente que a imagem está no negativo assim como as manchas, os riscos e substâncias que podem ser depositadas sobre ele.

O passo seguinte nesta reflexão filosófica/visual foi operar as intervenções no negativo sem a presença de uma imagem fotográfica nele, tendo em vista mostrar a materialidade da imagem fotográfica, sem o perigo da ilusão de que a fotografia seria uma janela para passado. A ideia deste desdobramento surgiu a mim por um descuido. Certo dia, revelei por engano um negativo virgem. Ao ver o acetato completamente transparente, tive a ideia de operar nele as mesmas intervenções de queimas, riscos e depósitos de substâncias, que eu havia realizado nos negativos do ensaio Ainda Presente. Assim surgiu o ensaio Objetos Materiais.

Das substâncias utilizadas, o café se revelou a mais surpreendente. As manchas marrons de café sobre o negativo, após e escaneamento e a inversão das cores, revelavam um lindo azul, presente em vários momentos do ensaio. O fogo também foi um elemento bastante utilizado.

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