Segundo o teórico da visão Athanassios Raftopoulos, toda atenção visual consciente em humanos traz consigo o acionamento dos circuitos cerebrais relacionados à memória e à conceitualização. Desse modo, a atenção consciente sempre “injeta na percepção conteúdo conceitual”.

A visão consciente, chamada de “visão tardia”, difere do processamento pré-atentivo (anterior à atenção consciente), chamado de “visão inicial”. A visão inicial é responsável pelo processamento da informação em unidades, que são os proto-objetos, para os quais a atenção consciente pode ser direcionada. A visão inicial, na teoria de Raftopoulos, seria independente da memória e da conceitualização (sendo, assim, cognitivamente impenetrável – não sofrendo alteração pela aplicação de conceitos).

Em termos metafóricos, é como se a visão consciente sempre trouxesse consigo o ato de “etiquetar” aquilo para o qual a atenção é direcionada. O estudo das teorias da visão me levou, então, a explorar a maneira como essa mesma ferramenta de etiquetagem do mundo na visão consciente opera também na percepção de fotografias. A ideia é tornar visível a etiquetagem que a atenção consciente opera nos elementos das imagens fotográficas.

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