Dos processos pré-conceituais da visão - Guilherme Ghisoni

Atualmente, é lugar comum no estudo da visão que a percepção visual de objetos ocorra em dois ou mais estágios. Após um estímulo visual, o estágio inicial da visão é geralmente descrito como a segregação do conteúdo visual em figuras (através da conexão das linhas que formam as suas bordas) e a localização, orientação e cor dessas figuras, distinguindo-as do fundo. O estágio seguinte da visão encontra-se relacionado à aplicação de conceitos a esses elementos visuais, identificando-os como objetos físicos. É isso que fazemos em todos os momentos que processamos informações visuais.

Em teorias como as de John Capmbell, David Marr e Zenon Pylyshyn, os processos que ocorrem na visão inicial são caracterizados como “pré-atentivos” (ou seja, subpessoais – que ocorrem de forma não consciente). Por esse viés, a segregação da informação visual em unidades articuladas seria anterior à ação consciente de prestar atenção a um objeto físico específico, e atribuir a ele um conceito. Quando aplicamos um conceito a algo em nosso campo de visão (como, por exemplo, atribuindo o conceito “mesa” ao objeto diante de mim), o processamento pré-atentivo de articulação de unidade já ocorreu – como condição de possibilidade dessa percepção consciente.

Neste ensaio, separo as três camadas de cores que formam a imagem fotográfica (feitas em sistema RGB – Red-Green-Blue), tendo em vista levar o espectador da imagem a operar de forma consciente (atentiva) a articulação dos elementos da imagem em unidades. Desse modo, o ensaio visa trazer à consciência o processo visual de segregação dos estímulos visuais em unidades articuladas (passíveis de atribuição conceitual), que operamos constantemente de modo inconsciente.