Este ensaio foi motivado pela leitura de textos de Kendall Walton e Gareth Evans. Autores como Walton concebem a fotografia como uma ferramenta de ampliação (espaço-temporal) do domínio de entidades que podemos conhecer por familiaridade. Segundo ele, "vemos, bastante literalmente, nossos parentes falecidos eles mesmos quando olhamos para fotografias deles". Essa possibilidade decorreria do modo como através da fotografia estaríamos causalmente ligados às entidades fotografadas. Ao olharmos para uma foto, fazemos parte de uma rota causal contínua que nos conecta aos objetos fotografados. (Diferentemente do que ocorre por meio de representações - como a pintura ou o desenho). Essa concepção é a versão fotográfica da tese semântica intitulada "teoria causal da referência" (que Evans retraça às teorias de Saul Kripke, no livro Naming and Necessity). Na teoria causal, o significado de um termo é fixado por um batismo inicial. Esse nome poderá ser passado para outros falantes e será apenas necessário que os usos futuros dos falantes façam parte de uma rota causal/histórica relacionada com o batismo inicial. Não é sem razão que Evans chama a teoria causal de "modelo fotográfico da representação mental".

Neste novo ensaio fotográfico exploro a proximidade entre a fotografia e a teoria causal da referência, por meio da substituição dos elementos que compõem a fotografia por termos que nomeariam seus referentes, através da rota causal presente na foto.