A ideia deste ensaio foi motivada pelo estudo da estrutura temporal da consciência. A consciência nunca é temporalmente atomizada, mas se alarga rumo ao passado pelas memórias e rumo ao futuro pelas expectativas. Assim, a consciência tem uma estrutura temporal tripartite; que articula a retenção do passado, as sensações presentes e a protensão do futuro. A duração vivida (na experiência consciente) é a temporalidade na qual memória, sensação e expectativa se unem, formando o fluxo da consciência.

Em termos metafóricos, é como se a consciência articulasse constantemente três imagens. Essa metáfora me levou a explorar a sobreposição de três imagens fotográficas (que sempre são vivências sucessivas), tendo em vista expressar o tempo vivido. O tempo vivido (a duração) não é o instante fotográfico, mas aquilo que une os diferentes instantes.