Wittgenstein, no Tractatus Logico-Philosophicus, traça a distinção entre a “vontade enquanto portadora do que é ético” e a “vontade enquanto fenômeno”. O primeiro caso diz respeito à vontade do sujeito metafísico, postado nos limites do mundo. Esse é o sujeito que contempla a totalidade dos fatos, que independem de sua volição. É esse o sentido do conceito de vontade que explorei em um ensaio anterior intitulado “O mundo é independente de minha vontade”; no qual utilizei sequências numéricas aleatórias para gerar as fotografias.

Neste novo ensaio me dedico à “vontade enquanto fenômeno”. Esta é a vontade do sujeito empírico, objeto de estudo da psicologia. A partir de um único ponto de luz, usando longas exposições múltiplas, acrescida do movimento da câmera, do foco, do desfoco e filtros coloridos, entrego-me ao utópico exercício megalomaníaco de criar mundos - minhas paisagens imaginárias.